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"O idealista" e um poema sem título

  • Foto do escritor: Algum Lucas
    Algum Lucas
  • 16 de jan.
  • 1 min de leitura

O idealista


"Miau",

disse o gato faminto,

talvez por instinto,

talvez por capricho,

quiçá pelo hábito.


Não ousei miar em resposta,

como pai, tutor ou até mesmo dono,

preguei a ele o DOGMA

de que não se deve crer na fome.



_________________



O vento leva a areia

pelo tempo de uma vida.

Provento da tempestade alheia

em meu templo de monotonia.

É o intento de inscrever na areia

o eterno do que já foi um dia.

Sonho do asceta sem abadia:

Devir um monolito inerte

aonde o vento leva a areia

e erode o eu que já não resistia.

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